sexta-feira, 14 de junho de 2013

As manifestações que todos queriam... mas agora não mais.


Interessante o que vem acontecendo nas grandes cidades do país, principalmente Rio e S. Paulo. Um movimento que primordialmente era contra o aumento no valor da passagem do transporte público gerou tamanha repercussão negativa na mídia, que mais do que rapidamente taxou as manifestações de “baderna” e “ondas de vandalismo”, resultou em ainda mais revolta, agora pelos mais variados motivos: repressão policial, violência, corrupção... Não, eu não concordo com protestos violentos, com vandalismo, mas quando se mobiliza tanta gente, é inevitável que haja sempre os 10% de vândalos que se juntarão à marcha apenas para ver o circo pegar fogo e nada mais.
O problema é a forma com que é encarada a manifestação pública neste país pela mídia e pela população não engajada. Não tardou a surgirem comentários do tipo “Que sentido faz um movimento que se chama ‘Passe Livre’, mas que não respeita meu direito de ir e vir!” ou então, o meu favorito, do nosso honrado Arnaldo Jabor, que disse que a revolta não tem propósito, que é motivada pelo simples impulso subversivo e depredatório de jovens de classe média. Assista essa pérola!
Li artigo sobre análise de jornalistas europeus ao comportamento da nossa mídia às manifestações. O principal ponto levantado por eles é que aqui não há interesse em saber o que motiva a manifestação, mas sim do “saldo” das eventuais depredações de bens públicos e privados e do trânsito, dos transtornos à população. Eles até dizem “Na Europa todos sabem que a última das preocupações em dia de manifestação deve ser com o trânsito”.

Pois bem, neste país a mídia instiga um sentimento individualista, egoísta, na população com relação a protestos, mostrando como são danosos a todos, como estão sendo violentos e mau conduzidos. As pessoas passam, então, a reclamar do protesto pelo incômodo que supostamente causa na vida de todos, mas se esquecem que aquilo tem uma motivação, e uma motivação mais do que válida.
Na última postagem falei sobre a falta de senso de coletividade dos brasileiros... bem, parece que o povo não é o único culpado por essa deficiência. No final das contas, não somos um povo completamente passivo, mas sim um povo egoísta demais para respeitar a busca por melhores condições de outros. 

Desta cadeira, inconformado e desesperançoso de um lado e orgulhoso e otimista de outro, desejo a todos um fim de semana com menos Rede Globo e Revista Veja, para o bem de vossa saúde intelectual. Até a próxima postagem!

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Dualidades do cotidiano

Nesta primeira postagem, resolvi expor uma reflexão baseada em situação bastante cotidiana, uma vez que são nessas situações que surgem a maioria de meus pensamentos, desenvolvendo-os até reflexões mais complexas e muitas vezes de cunho polêmico. Espero não ter feito uma postagem muito longa, mas deem feedback que poderei fazer este blog cada vez melhor.


Uma das coisas que sempre digo é que brasileiro, em sua maioria, não tem senso de coletividade. Hoje, no entanto, estive em duas situações cotidianas contrastantes em relação à questão.
Logo após o almoço, saí faltando 15 min para a aula da tarde. Chamei o elevador e esperei. Esperei, e esperei... esperei até sair daquele transe da rotina, quando se percebe que algo não esta indo da maneira que deveria ir, e olhei para o mostrador. O elevador estava no primeiro andar já fazia um bom tempo. Finalmente ele moveu-se... para o térreo. Mais um tempo. Moveu-se para a garagem. Tempo. Voltou para o primeiro... bem, resumo da história, entrei no elevador faltando 5 min para a aula, mas o inferno ainda não tinha acabado. Ele parou mais duas vezes antes do térreo. E não tinha ninguém mais esperando para entrar. O pensamento que proponho dessa história é o seguinte: é mesmo necessário fazer esses trajetos de 1 ou 2 andares de elevador? Sim, eu sei que o condômino paga o mesmo que eu e tem o direito de fazer uso do equipamento, mas, é assim um sacrifício tão grande subir dois lances de escada, assim ajudando os outros moradores que realmente precisam usar o elevador? ISSO é senso de coletividade. Pensar nos outros, mesmo que tenha um direito individualista do seu lado, abrindo mão deste, se não for realmente necessário usá-lo.
A outra situação aconteceu a noite, quando voltava do parque. Numa avenida de médio movimento, uma ambulância com a sirene e giroflex ligados parou atrás dos carros num semáforo fechado. De início nenhum deles se moveu, mas logo os de trás começaram a buzinar e os da frente cuidadosamente avançaram o semáforo para dar passagem. Teve até carro que subiu no canteiro central da avenida para abrir caminho à ambulância. Fiquei feliz. Isso também é senso de coletividade. Mas depois fiquei pensando, o que causa as pessoas terem tal senso nessa situação e não na do elevador? É a gravidade? Se assim for, e se eu estivesse com minha mãe no meio de um infarto esperando o elevador para correr levá-la ao hospital? Não seria a mesma coisa? A(s) pessoa(s) que ficou(ram) usando o elevador de forma abusiva não teria(am) como saber.
Deixo a vocês esse pensamento. Qual é sua opinião sobre o assunto? Já devem ter identificado qual é minha posição.

Desta cadeira, desejo a todos uma boa noite e uma quinta-feira mais cheia de sentimento coletivo. Até a próxima postagem!